alguém corajoso e
gentil, quero e le . Seremos tão felizes, assim como nas
canções, o senhor verá. Darei a ele um filho de cabelos
dourados, que um dia será o rei de todo o reino, o maior rei
que já existiu, bravo como o lobo e orgulhoso como o leão.
Arya fez uma careta.
- Só se Joffrey não for o pai - ela rebateu. - Joffrey é um
mentiroso e um covarde, e de qualquer forma é um veado,
não um leão.
Sansa sentiu lágrimas nos olhos.
- Não é nadai Não é nem um bocadinho como aquele velho
rei bêbado - gritou para a irmã, perdida no seu desgosto.
O pai a olhou com uma expressão estranha.
- Deuses - praguejou em voz baixa e da boca das crianças... -
gritou pela Septã Mordane. As meninas, disse: - Estou à
procura de uma galé mercante que seja rápida para levá-las
para casa. Nos dias que correm, o mar é mais seguro do que a
Estrada do Rei. Partirão assim que eu encontre um navio
adequado, com Septã Mordane e uma guarnição de guardas...
e, sim, com Syrio Forel, se ele concordar em entrar a meu
serviço. Mas não digam nada sobre isto. É melhor que
ninguém saiba dos nossos planos. Amanhã voltaremos a
conversar.
Sansa chorou enquanto Septã Mordane as levava pelas
escadas. Iam tirar-lhe tudo; os torneios, a corte e o seu
príncipe, tudo, iam enviá-la de volta para os gelados muros
cinzentos de Winterfell e trancá-la para sempre. Sua vida
tinha terminado antes mesmo de começar.
- Pare com esse choro, menina - Septã Mordane disse
severamente. - Tenho certeza de que o senhor seu pai sabe o
que é melhor para vocês.
- Não vai ser assim tão mau, Sansa - Arya disse. - Vamos
viajar numa galé. Será uma aventura, e depois estaremos
outra vez com Bran e Robb, e a Velha Ama, Hodor e os
outros - tocou--lhe o braço.
- Hodor ! - Sansa berrou. - Devia casar com o Hodor, é
mesmo como ele, estúpida, peluda e feia! - escapuliu da mão
da irmã, entrou correndo no quarto e trancou a porta atrás de
si.

Eddard

- A dor é um presente dos deuses, Lorde Eddard - disse o
Grande Meistre Pycelle. - Significa que o osso está
cicatrizando, a carne sarando. Deveria ser grato por isso.
- Ficarei grato quando a perna deixar de latejar.
Pycelle depositou um frasco rolhado na mesa junto à cama.
- O leite da papoula, para quando a dor ficar muito pesada. -
Já durmo demais.
- O sono é o grande curandeiro.
- Tinha esperança de que fosse o senhor. Pycelle deu um
sorriso triste.
- É bom vê-lo com um humor tão vigoroso, senhor - inclinou-
se para mais perto e abaixou a voz. - Chegou um corvo hoje
de manhã, uma carta para a rainha do senhor seu pai. Pensei
que deveria saber.
- Asas escuras, palavras escuras - disse Ned em tom sombrio. -
Que tem a mensagem?
- Lorde Tywin está muito irado com os homens que o senhor
enviou contra Sor Gregor Clegane - confidenciou o meistre. -
Temi que ficasse. Disse isso mesmo no conselho.
- Deixe-o irar-se - Ned respondeu. Cada vez que a perna
latejava, lembrava-se do sorriso de Jaime Lannister e de Jory
morto em seus braços. - Que escreva todas as cartas que
quiser à rainha. Lorde Beric avança sob o estandarte do rei.
Se Lorde Tywin tentar interferir na justiça do rei, terá de
responder perante Robert. A única coisa de que Sua Graça
mais gosta que caçar é de mover guerra aos senhores que o
desafiam.
Pycelle afastou-se, com a corrente de meistre chocalhando,
- Como quiser. Virei visitá-lo de novo amanhã - o velho
homem recolheu apressadamente suas coisas e se retirou. Ned
tinha poucas dúvidas de que se dirigia diretamente aos
aposentos reais para segredar à rainha. Pensei que
dever ia saber , realmente... como se Cersei não o tivesse
instruído para entregar as ameaças do pai. Esperava que a
resposta fizesse ranger aqueles seus dentes perfeitos. Ned não
estava, nem de perto, tão confiante como fingira estar, mas
não havia motivo para que Cersei soubesse disso.
Depois de Pycelle sair, Ned mandou vir uma taça de vinho
com mel. Aquilo também enevoava a mente, mas não tanto.
Precisava estar capaz para pensar. Mil vezes perguntara a si
mesmo o que teria feito Jon Arryn se tivesse vivido o
suficiente para atuar com base no que soubera. Ou talvez
t ivesse atuado e morrido por isso.
Era estranho como por vezes os olhos inocentes de uma
criança eram capazes de ver coisas a que os adultos eram
cegos. Um dia, quando Sansa crescesse, teria de lhe contar
como ela fizera com que tudo se tornasse claro. Não é nem
um bocadinho como aquele velho re i bêbado,
declarara zangada e sem consciência do que dizia, e a simples
verdade daquelas palavras retorcera-se dentro dele, fria como
a morte. Foi esta a espada que matou Jon Arryn,
pensara Ned então, e matará também Robert , uma
morte mais lenta, mas não menos certa. Pernas
quebradas podem sarar com o tempo, mas certas traições
ulceram e envenenam a alma.
Mindinho veio de visita uma hora depois de o Grande Meistre
partir, vestindo um gibão cor de ameixa, com um tejo
bordado de negro no peito e uma capa listrada de preto e
branco.
- Não posso me demorar, senhor - anunciou. - A Senhora
Tanda espera-me para o